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(RESENHA) A METAMORFOSE – FRANZ KAFKA

Sinopse: A Metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. Sem a menor cerimônia, o texto coloca o leitor diante de um caixeiro viajante – o famoso Gregor Samsa – transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana – tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.

Resenhacapa a metamorfose

Título: A Metamorfose
Autor: Franz Kafka
Editora: Companhia das Letras
Nº de Páginas: 96
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A história do caixeiro-viajante Gregor Samsa, que acorda numa certa manhã transformado em uma barata (pode acreditar, UMA BARATA!) causa um enorme estranhamento no leitor. Logo no início da história fiquei presa na maior dúvida de todas, ele sairia dessa afinal?

“Sem dúvida ninguém mais entraria para ver Gregor até a manhã do dia seguinte; tinha portanto um tempo longo para refletir sem ser perturbado sobre a maneira como deveria agora reorganizar sua vida.”

A narrativa é peculiar e muito direta. Não tem enrolação do personagem nem dos acontecimentos. É tudo muito claro e objetivo.

Senti certa repulsa durante a leitura, e se pensa que foi por conta do inseto em que Samsa se transformou estão enganados. O que mais me deu nojo nessa história foi a forma como sua família reagiu ao encontrar Samsa metamorfoseado em um inseto. Entende-se que em um primeiro momento o espanto e o medo fiquem sobressalente as demais emoções. Mas com o decorrer da leitura eu me senti triste e associei ao mundo real a forma com que fazemos tanto pelos outros e nas horas em que mais precisamos, nos dão as costas ou nos maltratam.

“E armado com a outra mão com um grande jornal que estava sobre a mesa, preparou-se dando forte patada no solo, esgrimindo papel e bastão, para fazer retroceder até o quarto.”

“O grave ferimento de Gregor, que o fez sofrer mais de um mês – a maçã ficou alojada na carne como uma recordação visível, já que ninguém ousou removê-la – , parecia ter lembrado ao pai que Gregor, a despeito de sua atual figura triste e repulsiva, era um membro da família que não podia ser tratado como um inimigo, mas diante de qual mandamento do dever familiar impunha engolir a repugnância e suportar, suportar e nada mais.”

Esse livro mexe com o leitor, pois mostra toda a sensibilidade humana e a crueldade que cada um carrega em si. É difícil entender as reações dos personagens, e a frieza dos acontecimentos que são extremamente brutais.

Acredito que cada um enxergue esse livro de uma forma diferente. Eu vi muito da agressividade e intolerância humana para com o desconhecido. Identifiquei detalhes que deram luz ao sentimento depressivo e de pura solidão que todos em algum momento possamos vir a ter, e a forma como encaramos as mudanças em nossas vidas.

Gregor Samsa sempre teve conforto em sua vida e pôde dar uma certa mordomia a sua família que sempre teve de tudo graças ao seu trabalho como caixeiro-viajante. Ele vivia preso em sua rotina, sufocado pelos seus deveres e, de certa forma, abusado na condição de único trabalhador em seu ceio familiar. Quando se metamorfoseou foi como se sua aparência externa finalmente remetesse a forma como já vinha sendo tratado à anos dentro de sua casa: como um inseto que não merecia respeito ou dignidade.

A Metamorfose, simplesmente, é aquele tipo de história que lhe dá um tapa na cara. A forma como se pensa na história e nas possíveis associações de nossa vida cotidiana, nos faz questionar nossos comportamentos durante muito tempo depois de terminar a última página.

Bom… é muita coisa para se pensar em um livro com tão poucas palavras. Essas 96 páginas conseguem dizer muito mais do que se pode imaginar.

downloadSobre o autor:  Franz Kafka foi um escritor tcheco, autor de romances e contos, considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX.

Nasceu em 3 de julho de 1883 em Klosterneuburg na Áustria e morreu em 3 de junho de 1924. Sua família era judaica de classe média e falante de alemão em Praga, então pertencente ao Império Austro-Húngaro. Durante sua vida, a maior parte da população de Praga falava tcheco e a divisão entre os falantes de tcheco e alemão era visível, já que ambos os grupos estavam tentando fortalecer sua identidade nacional. A comunidade judaica muitas vezes achou-se dividida entre esses dois grupos, levantando, naturalmente, questões sobre a origem de uma pessoa. O próprio Kafka era fluente nas duas línguas, considerando o alemão sua língua materna.

Kafka formou-se em direito e, depois de completar sua educação, conseguiu um emprego em uma companhia de seguros. Começou a escrever contos no seu tempo livre. Pelo resto de sua vida, reclamou do pouco tempo que tinha para dedicar-se ao que chegaria a chamar de “seu chamado”.

Apenas algumas das obras de Kafka foram publicadas durante sua vida: as coleções de contos Considerações e Um Médico Rural, e contos (como A Metamorfose) em revistas literárias. Preparou a coleção Um Artista da Fome para impressão, mas só foi publicada postumamente. Os trabalhos inacabados de Kafka, como os romances O Processo, O Castelo e O Desaparecido, foram publicados postumamente pelo seu amigo Max Brod, que ignorou o desejo de Kafka de ter seus manuscritos destruídos. Albert Camus, Gabriel García Márquez e Jean-Paul Sartre estão entre os escritores influenciados pela obra de Kafka; o termo “kafkiano” popularizou-se em português como algo complicado, labiríntico e surreal, como as situações encontradas em sua obra.

Classificação do livro: ESTRELAS6-300x45

escrito por Priscilla Paiva

Priscilla Paiva

Publicitária, blogueira, cinéfila, viciada em livros, séries e doramas. Amante de tempo frio, chuva, música, chocolate e animais.

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