Capa-Brochadas

(RESENHA) BROCHADAS – JACQUES FUX

Sinopse: “Tudo aqui é verdade, exceto o que não invento”, adverte Jacques Fux, em forma de epígrafe, em Brochadas. Em sua estreia na Rocco, o autor mineiro, ganhador do Prêmio São Paulo por seu primeiro romance, Antiterapias, mistura as fronteiras entre ficção e realidade para narrar uma “Ilíada da impotência”, remontando ao passado da humanidade e a suas próprias origens em busca de respostas culturais, biológicas, místicas, artísticas e etimológicas para o funcionamento ilógico do pênis. Ao lado da erudição, caminha um humor judaico surpreendente, que perpassa toda a narrativa, costurada pelas lembranças dos amores passados do protagonista e pelos e-mails trocados com suas ex-namoradas. Um romance original que joga com os conceitos de metalinguagem e autoficção e tece uma análise irônica do “eu” na literatura.

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Livro: Brochadas – Confissões Sexuais de um Jovem Escritor

Autor: Jacques Fux

Editora: Rocco

Nº de páginas:  240

‘Brochadas’ é aquele tipo de livro feito para você rir.

Entramos na intimidade de um homem que confessa suas angústias e decepções amorosas e nos divertimos com isso. Tudo bem que, pra mim que sou mulher, é mais divertido do que dramático, mas acredito que os homens também achem cômicas as situações descritas pelo autor.

Fux se reinventa em um personagem interpretado por ele mesmo, e nos mostra como ocorreram as brochadas de sua vida através de capítulos destinados a cada uma de suas namoradas, amantes, casos etc.

Ele desabafa de forma clara e objetiva contando, simplesmente, tudo. Desde como a conheceu até a forma como se relacionavam sexualmente, com os cheiros, toques, envolvimento amoroso e dedicação ao outro. Muitas vezes a sintonia era perfeita, mas mesmo assim, ao final do relacionamento vinha a temida brochada.

O autor explica que muitas brochadas ocorreram por diversos motivos, inclusive decepção, pressão, tristeza, cansaço, desgaste do relacionamento, drama cotidiano etc. Já em algumas situações, só no primeiro contato com a pele e/ou cheiros já foram o suficientes, pois não rolava aquela química e com isso o “Jacozinho” (nome que ele deu ao seu órgão sexual masculino) não subia de jeito nenhum. É muito engraçado ver seu desespero em meio a um momento que  geralmente  traz uma pressão em não falhar, e ver a forma como ele teve de lidar com aquela situação.

“A gente se acostuma a tudo, exceto à fedentina. Será? Acho que sim. O mundo dos odores é muito mais rico que o mundo das imagens.”

“Ele, não eu, é que foi capaz de se enrijecer. Eu brochei com a dor da impotência diante do amor perdido. Do desencontro total das almas.”

Mas o divertido de todo esse desabafo é que o autor manda um e-mail a cada ex namorada, com o capítulo destinado a elas anexado, perguntando se em algum momento elas também brocharam com ele. E as respostas destas mulheres, que foram expostas as confissões do autor, são hilárias. Algumas se sentem ofendidíssimas e com razão, pois precisam aceitar que sua intimidade estará exposta em um livro para todo mundo ler.

“Eu já tinha lhe dito o quão importante você foi na minha vida, tanto que despertou em mim os mais belos desejos e os mais terríveis sofrimentos.” 

Mas aí vem a dúvida do leitor, será que tudo isso descrito é real ou é invenção? Pois o autor fez questão de deixar escrito na primeira página do livro a seguinte epígrafe: “Tudo aqui é verdade, exceto o que não invento”.

Pontos que considero QUASE negativos durante a leitura:

  •  Apesar de alguns trechos engraçados, e a busca do autoconhecimento e dramas vividos pelo autor, ‘Brochadas’ parece querer ser um livro masculino. Pois algumas passagens são um tanto quanto ofensiva ao universo feminino. Nada muito pesado, diga-se de passagem, mas ainda assim um tanto quanto machista em algumas situações.
  • Um dos pontos QUASE negativos da leitura é essa “história” de que o autor se recria como um personagem ficcional e com isso o leitor não sabe o que é real do que é inventado. As peripécias do Jacques são muito divertidas, mas de alguma forma me incomodou não saber se realmente aconteceu como ele contou, ou se foi tudo inventado. Imagino que essa seja a intenção do autor, que no fundo deve se divertir ao brincar com a mente de seus leitores ao descrever algo que supostamente ocorreu e que no fundo é pura ficção, ou o inverso. Vai saber….rs. 😉

“É necessário  sempre desconfiar desse esforço em fazer da literatura (ou do escritor) uma espécie de gênio revelador, capaz de descobrir as muitas “verdades” sobre o personagem. Não é função da literatura fazer (ou não fazer) confiar no autor, muito menos fazer confiar na pesquisa histórica ao se trabalhar com a ficção.” 

Enfim, mesmo com toda a dúvida o livro é engraçado e um tanto quanto dramático até certo ponto. Durante a leitura é possível notar as referências históricas, na qual o autor tenta explicar e filosofar sobre as brochadas como algo que acontece desde os primórdios dos tempos. Lógico que ele viaja um pouquinho na maionese, e cria ou supõe casos e descasos que não existiram, mas que podiam ser interpretados de forma diferente, e fariam todo o sentido.

“Tenho certeza absoluta de que Hitler era brocha (e pior, não circuncidado).”

Sobre o autor

Jacques-FuxJacques Fux nasceu em Belo Horizonte em 1977. Com profícua vida acadêmica, Jacques é graduado em matemática e mestre em ciência da computação pela UFMG, doutor e pós-doutor em literatura pela UFMG, pela Universidade de Lille 3 (França) e pela Unicamp, além de pesquisador visitante na Universidade de Harvard. Sua tese de doutorado Literatura e Matemática: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o OULIPO (Tradição Planalto, 2011) recebeu em 2011 o Prêmio CAPES de melhor tese de Letras/Linguística do Brasil. Antiterapias (Scriptum, 2012), seu romance de estreia, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura 2013 e o manuscrito do próximo livro, Brochadas: confissões sexuais de um jovem escritor (Rocco, 2015, prelo), recebeu Menção Honrosa no Prêmio Cidade de Belo Horizonte.

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Minha nota:

ESTRELA4

escrito por Priscilla Paiva

Priscilla Paiva

Publicitária, blogueira, cinéfila, viciada em livros, séries e doramas. Amante de tempo frio, chuva, música, chocolate e animais.

22 comentários sobre “(RESENHA) BROCHADAS – JACQUES FUX

  1. Jacques Fux says:
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    Olá, pessoal!

    Obrigado pela resenha e pelos comentários!

    Uma coisinha: o livro não tem nada de machista não, podem acreditar. Há uma voz feminina, muito mais forte e mais trabalhada que a voz masculino. Acho, inclusive, que o machismo é totalmente desconstruído no livro. Ainda: quem fez a orelha do livro foi a Márcia Tiburi, uma das maiores defensoras dos direitos e da voz da mulher. Ela leu e gostou muito do livro!

    Deixo o link da sua orelha:
    http://revistacult.uol.com.br/home/2015/08/brochadas-confissoes-sexuais-de-um-jovem-escritor-de-jacques-fux/

    Qualquer coisa, estou por aqui. Podem me escrever e/ou me adicionar no Face.

    abraços

  2. Monalisa Marques says:
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    Você ficou incomodada a ponto de considerar essa mistura de realidade e ficção como uma falha, mas eu considero isto justamente como o maior atrativo do livro. Não tenho a menor necessidade de saber exatamente o que é real e o que é fictício, pra mim isso dá a grande bossa do livro. Aliás, eu não li o livro. E apesar disso que considero um atrativo, não pretendo ler justamente pelo outro ponto que você destacou com negativo: O machismo.

    E tenho uma dica pra você: Não tenha medo de dizer que os pontos são negativos, não tenha nenhum receio de dizer o que te agrada em algum livro, desde que esses pontos fiquem bem embasados e que sua crítica seja construtiva. Assim você continua sendo justa com os seus leitores e dá a chance do autor de melhorar. :)

    No mais, sua resenha está muito boa! Eu realmente gostei. Só não pretendo ler o livro por causa das passagens machistas mesmo, porque isso me incomoda muito.

    Beijo grande!

  3. Rafaella Lima says:
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    Oi Priscilla, tudo bem?

    Gostei bastante da sua resenha e imagino que algumas partes sejam bem engraçadas mesmo, mas o livro parece ter um teor machista e não gosto muito. Acho que quanto a questão se o que ele contou é real ou não, acho que essa é a intenção de muitos autores e particularmente não me incomoda.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima

  4. Juliana Xavier says:
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    Não me interessei nem um pouquinho pela premissa, aí ainda fico sabendo que tem machismo presente… sinceramente, eu espero que seja tudo invenção, se um ex-namorado escrevesse algo assim sobre mim eu ia ficar extremamente irritada, então não desejo pra ninguém. Que bom que conseguiu se divertir com a leitura, mas não leria.

    Beijo.

    Ju – Entre Palcos e Livros

  5. Diana Canaverde says:
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    Olá… parece que se divertiu com livro apesar das ressalvas… eu não me sinto motivada a ler, não achei interessante para eu fazer a leitura… porém para quem gosta, pode ser uma boa… xero!

  6. Neyla Suzart says:
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    Oi Priscilla!
    Achei o nome bem peculiar e quando comecei a ler a resenha me acabei em risos. Gente, que coisa mais inusitada! Achei que o autor foi bem original e, com certeza, a leitura deve render boas risadas.
    Gostei demais da resenha e já deixei o nome dele anotadinho aqui.
    Beijos
    Coisas de Meninas

  7. Dani Casquet says:
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    Ai caraca, série que li esse título desse livro, com certeza deve ser hilária a forma como ele conta isso. Para mim é novidade, mas não seria um livro que compraria para ler. Sua resenha está ótima! Bjkas

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